
Se achar inteligente não vai fazer você, de fato, inteligente. A começar que, pensando assim, é mais fácil te acharem um perfeito idiota, do que qualquer outra coisa. Mas, e quando falamos de conhecimento adquirido, experiências e vivências que realmente fazem de você uma voz importante, e que, por algum motivo alheio, foi deixada de lado?
Ser inferiorizado é uma das experiências mais frustrantes que existem num trabalho, porque mina a confiança. Se isso for feito pelo chefe imediato, pior ainda, é se sentir como alguém que está ali de intruso, que não tem competência suficiente para ocupar aquele espaço. É um misto de vergonha, raiva e frustração que revira as vísceras e nauseia o dia. Ser inferiorizado fazendo o que você faz de melhor, talvez seja mais cruel do que uma demissão.
Dizem que a ignorância é uma benção, e se for, o conhecimento é um fardo, pois ele te faz ser prudente, meticuloso e perfeccionista, afinal existe uma reputação em jogo ali. E quando alguém que não tem o mesmo grau de conhecimento que você para julgar se aquilo ali é bom ou não, mas tem o poder de fazer isso, e pior, exerce este poder de forma acintosa, é como se automaticamente se saísse do status de profissional para o de aventureiro. Seus 4, 5, talvez 6 anos de faculdade, mais 2 de pós, e mais alguns até chegar ali, são estupidamente substituídos por um “eu acho que fica melhor assim” e não há nada que se possa fazer.
Brigar talvez seja a saída mais honrosa. Num embate de argumentos a lógica é que quem sabe mais se sai melhor, exceto quando existe uma hierarquia a se seguir, aí vira super trunfo. No time for losers. E lá se vai a sua autoestima.
Isso não acontece só nas relações superior, subordinado. Empregador, empregado. Há também no contratante, contratado. Onde existe uma relação de poder, seja por cargo ou por grana, se está sujeito a isso. A humildade que se pede para aceitar uma “sugestão” é a mesma que falta para aceitar um contra argumento.
No meio dessa mesquinhez toda pela razão, talvez essas mudanças nas relações de trabalho possam ajudar a equilibrar mais as coisas. Num mundo hierárquico mais horizontal, onde as vozes tem a mesma amplitude, a critica é realmente construtiva e há uma discussão de pontos de vista, o respeito pode realmente prosperar.
São inúmeros os casos em que o conhecimento valorizado levou corporações a grandes resultados, porém o egoísmo da última palavra parece não querer aceitar este argumento.


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