Gostaria de começar esse papo com uma descrição textual de um gif que para mim neste momento faz todo sentido: Imagine este que vos escreve, e de olhos apertados por bochechas protuberantes, com uma cara estupefata, os braços elevados até a cabeça, com dedos juntos em cada uma das mãos, fazendo um movimento síncrono de expansão a partir da testa, enquanto a boca manda uma sonora onomatopeia característica de explosão.
Bom, toda essa introdução sem muito sentido foi para tentar demonstrar com palavras aquilo que senti quando fui apresentado de forma mais aprofundada ao mundo dos dados. Sim, dados.
Oficialmente me autodeclaro “De Humanas”, ou seja, aquele que tem pavor nato de números, contas e afins. Durante a escola, matemática era meu carma e passar com média 5, uma vitória. Quando fui apresentado a trigonometria o negócio piorou, mas as coisas ficaram piores mesmo quando eu, numa inocência juvenil, escolhi fazer Comunicação Social achando que estaria livre das exatas e tive a estatística introduzida, a fórceps, no meu currículo.
Tempos sombrios aqueles, que exigiram medidas pouco ortodoxas, para garantir um histórico escolar imaculado.
Passado o trauma, nunca mais tive contato próximo com o mundo dos números, exceto com os da conta bancária, que nunca batiam… Até que um dia fui fisgado por uma aula demonstração de Marketing Analítico. Era um curso gratuito EAD, do INSPER, que me mostrou um mundo mais interessante, onde os números se transformavam em insights, indicavam tendências e padrões de consumo. Não terminei o curso.
Peguei gosto por ler resultados de pesquisa, reports de mercado e acompanhar os números da economia. O fato é que definitivamente eu tinha perdido o medo dos números. Mas, isso não significa que eu tenha aprendido a lidar com eles, ainda tenho problemas com estatísticas, não sei fazer porcentagem, mas, pelo menos, os números da conta bancária pararam de ficar negativos.
Ao sair da criação e me enveredar pelo marketing, era uma questão de tempo sem engolido por números, ainda mais nos tempos atuais em que estamos rodeados de dados e informações. No marketing digital essa relação é muito mais íntima, com métricas e KPIs pra lá, CPC e ROI pra cá. Tudo se resume, se explica e se justifica pelos números, estatísticas e percentuais. Toda decisão ou estratégia é traçada com base em dados e por mais que eles as vezes não sejam tratados e, ou, analisados como deveriam, eles estão lá escancarando o seu sucesso ou fracasso. Me sinto dormindo com o inimigo.
Mais uma vez fui de uma ingenuidade juvenil, ao pensar que já tinha me exposto o suficiente ao mundo analítico, mas confesso que dessa vez não era mais a aversão que me dominava, e sim, um certo ar de curiosidade e, enfim, uma vontade legítima de aprender. Isso não quer dizer que eu fui lá de peito aberto pleno e feliz atrás do primeiro curso que vi pela frente, pelo contrário, as crenças da adolescência, de que eu não era bom em matemática, falavam mais alto.
A vida tem daquelas coisas engraçadas, e nesse sentido gosto de uma frase dita pelo narrador Everaldo Marques: “O Mundo não dá voltas, ele capota”.
Corte seco, eu no meio de uma pandemia, em meio a uma das maiores transformações que o mercado já experimentou na era modera, estava eu me preparando para começar um curso de DATA LEADERSHIP FOR BUSINESS, à distância. Foi por livre espontânea vontade? Não! Foi minha primeira escolha? Não! Estava feliz no primeiro dia? Não preciso nem falar, mas lá estava eu de câmera aberta e cara fechada, no primeiro dia de aula.
A cada dia descobria um pouco mais sobre esse mundo de dados e, principalmente, como ele era acessível para mim. Sim acessível, pois nunca me vi com possibilidades ou mesmo afinidade para áreas de tecnologia.
O que agora com mais calma percebo, é que na verdade o curso só potencializou algo que já havia sido despertado, mas ainda não entendido, quando eu comecei a fuçar nos analytics das campanhas de Facebook e Google que eu fazia. Os dados apresentados, as possibilidades mostradas e o nível de informação gerada despertou em mim uma vontade de conseguir decifrar o que aquele amontoado de dados espalhados em planilhas estavam tentando me mostrar.
Alfabetização de dados ou literacia em dados é a capacidade de ler, entender, criar e comunicar dados como informação. Assim como a alfabetização como um conceito geral, a alfabetização em dados concentra-se nas competências envolvidas no trabalho com dados. Wikipédia
Logo no começo os temores de estar entrando em um curso altamente técnico foram acalmados pelas palavras do grande José Borbolla, um dos experts do curso e que brilhantemente mostraram que mais do que linhas de código a ciência de dados é feita de pessoas e principalmente de boas perguntas.
Talvez aquela frase de uma propaganda antiga do Canal Futura de que “não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas” nunca fez tanto sentido pra mim.
Aprender a estruturar um framework com as perguntas certas, definir bem os problemas e hipóteses, base de dados e principalmente, identificar os possíveis vieses envolvidos para que eles não interfiram nas análises. De repente tudo se clareava e eu me encontrava.
Hoje chegou o meu certificado, e a tempos eu não ficava tão feliz de ter feito um curso, e agradeço a oportunidade dada pelo Sebrae-MT, pois foi realmente algo que enriqueceu e muito a minha base de conhecimento, se conectou com as atividades que hoje no marketing digital, fazendo gestão de trafego pago, monitoramento de campanhas digitais e Inbound, onde tudo é mensurável, saber, pelo menos o básico, para começar a gerar uma inteligência mais efetiva, o salto será muito maior.
Mas, se eu pudesse resumir todo esse textão em algumas palavras, o que eu levo pra vida mesmo é a importância de se fazer as perguntas certas e não me deixar levar pelos vieses, pois como disseram no curso, “se você torturar os dados eles confessam aquilo que você quiser”.
E como se nesse capote do mundo não faltasse mais nada, tudo isso aconteceu enquanto eu lia Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar – Livro do Daniel Kahneman. Quando o autor fala sobre como somos orientados instintivamente a tomar decisões com o mínimo de informações, isso se conectou com o que vi no curso sobre os perigos dos vieses e de se contentar com as primeiras respostas que aparecem, sem se quer questioná-las.
WYSIATI – what you see is all there is – (sim, eu tatuei isso, pra sempre me lembrar de questionar)
A ciência de dados se mostrou um campo fascinante pra mim, rico, desafiador, cheio de possibilidades, perguntas e respostas. É um caminho que, agora nem me atrevo a dizer que comecei a caminhar, mas sim engatinhar. Contudo, ter a clareza do que fazer para iniciar uma busca por respostas conclusivas, exercitar o pensamento crítico, ter respeito pela privacidade dos dados e como eticamente utilizá-los é algo que começo a praticar.
Sem a pergunta certa, qualquer resposta serve, até aquelas que não respondem nada.


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